Blog da Claudinha
15 de abril 2009

Não. Ser mãe não é se DIVERTIR num trio elétrico. E, sim, eu me divirto quando estou TRABALHANDO.

Odeio ser ofensiva. Quando isso acontece é porque cheguei ao meu limite de tolerância. Mas, francamente, tem certas mulheres que não têm fé e são mal amadas demais.

Não admito que me depreciem, como uma jornalista e sua amiga fizeram num jornal há poucos dias. Explicitem suas opiniões quanto ao meu trabalho, ainda que eu saiba que não são capazes de me julgar.

Afinal, este é um preço que pago por escolher ser cantora e famosa. Mas, quanto a ser esposa, ou filha, e agora, sobretudo, quanto a ser mãe, entrevistem-me. Não sou inacessível e nem do tipo que esconde o jogo sobre minha vida, embora eu preserve o que me convém. É melhor assim.

A tal jornalista, cujo o nome não me vem a memória, publicou um texto sobre mim em sua coluna. Com base no que ela escreveu, sou uma celebridade gananciosa, medrosa e sem coração, que abandona seu filho em busca de status, dinheiro, ou os dois. Devo ressaltar que recebo uma “clipagem” diária, com todas as matérias que citam meu nome. Eu escolho as que vou ler pelos títulos, e este me chamou bastante atenção: “Ser mãe é se divertir num trio elétrico.”

Segundo a jornalista, a matéria foi sugerida por uma amiga sua, que, bem como ela, está “revoltada” comigo porque “pari, e já estava toda ‘serelepe e magérrima’ no carnaval, um mês depois de dar `a luz Davi”. Ainda segundo as opiniões sensatas da jornalista especialista em maternidade e celebridades- que afirma que no mundo dos famosos VALE TUDO- eu, a mãe má, não sei que meu filho sente falta de mim porque o deixo em casa para trabalhar e levo apenas sua mantinha com a lavandinha que passo nele depois que dou-lhe banho.

Pois é, eu dou banho em meu filho, meninas. Não devo satisfações a ninguém. Talvez eu até me arrependa por estar desabafando aqui no Blog, mas a verdade é que sou uma celebridade que limpa cocô . Inclusive, hoje `a tarde, depois de uma maratona de entrevistas e outros compromissos, tirei a fralda do amor a minha vida, fiquei me divertindo com todas as dobrinhas daquele corpinho lindo e recebi vários jatos de xixi no vestidinho que o meu stylist escolheu para sua serelepe artista usar.

Ah! O corpo branquinho, limpo, cheiroso e rechonchudo do meu filho, de aproximadamente sete quilos, desenvolveu-se muito bem, graças as mamadas que lhe dou desde o seu primeiro dia de vida. Aleitamento materno exclusivo, conhecem? Apenas leite do meu peito. Acordo diversas vezes durante a madrugada para alimentá-lo. Sabem quantas mulheres deixam de fazer isso por qualquer motivo torpe, seja ele relacionado ` a vaidade ou `a preguiça, cansaço? Pesquisem. Essa sim é uma discussão interessante, que acrescenta…

Chego da minha “diversão” exausta e extraio leite para armazenar. Aliás, minha profissão é banalizada por gente como vocês, descrente, preconceituosa, mas é sacrificante, apesar de todo prazer que tenho. Canso-me. Definitivamente, eu dou um duro danado. Vocês não devem fazer idéia de como eu me dedico e do quanto me esforço. Não estou desabafando aqui para que passem a me admirar, mas para que gente assim, ao menos me respeite, ainda que não goste de mim, ou não aprecie minhas atitudes.

Claro que é mais fácil para vocês acreditarem que as celebridades conseguem tudo porque têm dinheiro e fama. Quantas pessoas inventaram descaradamente que fiz plástica? Eu nunca soube que isso era possível, mas, sinceramente, não acho que é uma boa, uma vez que o pós-parto é um período especial para a mamãe e o bebê e não para a recuperação de uma cirurgia de estética. É! Essa é minha opinião. Talvez, se existisse uma entrevista, não afirmariam com veemência que eu não sei que meu filho amado sente minha falta quando preciso trabalhar. Isso dói demais em mim.

Antes de ser uma celebridade, uma artista, uma famosa, ou sei lá o quê, sou um ser humano. Sou mãe. Saio de casa com o coração apertado, mas preciso ir. Sabem quantos funcionários dependem única e exclusivamente de mim? Sabem quantos deles são pais? Claro que não. Pessoas como vocês duas não se dispõem a falar bem das celebridades. Pra quê? Vão fazer suas unhas em salões de beleza toda bendita quarta-feira, pegam as revistas e contam as celulites e estrias das moças que não podem ter nenhum defeito. Óbvio. Vocês não iriam se dar ao luxo de comentar sobre as doações que aquelas que “morrem de medo de serem substituídas por talentos emergentes” fazem `a instituições de caridade. Claro que não.

É mais fácil mostrarem aos seus maridos as coxas flácidas de fulana da novela das oito, porque assim justificam aquele seu defeito tão inconveniente.

Licença maternidade? Como eu gostaria de ter isso. Mas não posso. Sou a dona de uma estrutura que eu construí com minha “diversão em cima dos trios”. Sim. Sou otimista, alegre, sorridente, mas não significa que tudo são flores. Não sou do tipo que choraminga, que reclama. Não sou assim. Mas encontrei um monte de percalços no meu caminho e, afirmo com toda certeza, que estou pronta para encontrar e vencer os que virão, porque sou uma mulher forte e corajosa.

Aliás, foi por este motivo que estava naquele trio durante o carnaval, em Salvador. Não queria provar nada a ninguém. Só sou mais uma mulher que precisa trabalhar. Sou uma celebrity, uma dessas que enfeitam as revistas que te divertem `as quartas-feiras, mas antes de tudo isso, sou gente. Respeite-me, principalmente quando estiver, sei lá, afim de falar da minha atuação como mãe, pois, se tem uma coisa em mim que eu não conhecia e que me transformou completamente, foi o meu instinto materno. Dizer que não sou uma boa mãe, implica em afirmar que meu filho não é bem cuidado e… ai daquele que mexer na minha cria.

`A propósito, um dos assuntos que estão me preocupando, têm relação com uma das coisas que a jornalista em questão escreveu. Meu corpo não é minha prioridade porque quero estar bela, mas porque meu filho depende da minha saúde e, claro, meu trabalho também. Lógico, quero estar bonita, em forma, mas não existe o desejo desenfreado de acelerar certos processos.

Quero que vocês leiam este texto que recebi por e-mail e reflitam. Lembrem-se que existe tempo e propósito pra tudo e todos debaixo do céu.

CIRURGIA de LIPOASPIRAÇÃO?

“Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei,?nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas,?mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração??Uma coisa é saúde outra é obsessão.? O mundo pirou, enlouqueceu.? Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta.?Fé, só na estética. Ritual é malhação.? Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo,sentimento é bobagem.?Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.?Roubar pode, envelhecer não.

Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação.?Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.?A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem??A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,?não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.?Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.?Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.?Não importa o outro, o coletivo.?Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.?Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.?Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…?Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.?Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.”

‘ Cuide bem do seu amor, seja ele quem for ‘

Rosana Hermann

O beijo

Te amos.

Kk

PS: A babá de Davi está de folga. Adivinhem quem toma conta dele? Uma celebridade. rsrsrsrsrs!!!! Deus que me defenda, viu?

PS2:Essa onda de receber textos pela internet me deixa doida. Creditam os textos `a tanta gente, menos `as pessoas certas. Havia publicado aqui que esta citação era de Hebert Vianna, mas, na verdade, a pessoa que me encaminhou se equivocou. Portanto, estou aqui para corrigir a falha. Meu agradecimento `a Thays Almendra, do UOL, que entrou em contato para me avisar.

03 de dezembro 2008

Caladinha estou, caladinha ficarei!!!

O Carnatal vem chegando e o meu voto de silêncio toma conta de tudo agora. Nada de celular, nada de exaltação. Minhas amigas estão sendo compreensivas e meus cachorros me obedecem num piscar de olhos. Também estou namorando bastante pelo olhar. Uma posição gostosa essa de observadora. Olhar, olhar e olhar…

Deixo AQUELE beijo grande a todos e um especial em Natascha e em Dr. Ricardo, seu pai, que foram extremamente atenciosos comigo e com meu assessor Paulo Sampaio, que, de fato, é um homem excepcional. Que Deus abençoe vocês sempre. Obrigada por me fazerem ainda mais feliz!

Tchau, meus presentes divinos.

Kk

PS: Segue uma poesia de Alberto Caeiro, o meu favorito dos heterônimos ( personalidades diferentes que habitam um único poeta ) de Fernando Pessoa.

O meu olhar
(Alberto Caeiro)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

13 de novembro 2008

“Você gostaria que seu filho fosse gay?” Eu deveria responder “sim” a essa pergunta? O que você deveria dizer a Leo Áquila, vestido de rosa, rindo bastante, insinuando coisas que poderiam ser depreciativas do seu trabalho e do seu caráter, caso ele te fizesse essa pergunta? O quê? Aquilo não era uma piada?

Se temos um problema desse tamanhão, ao menos deveríamos tê-lo mudado de contexto. Se eu estivesse discutindo homossexualidade, não faria graça. Muito menos meu marido. Além de se tratar de um assunto de extrema seriedade, nunca desrespeitei ser humano nenhum.

Francamente não desejo que meu filho seja homossexual por vários motivos e, sobretudo pelo preconceito absurdo que vejo meus amigos gays sofrerem em seu dia `a dia. Entretanto, Deus sabe o que ele será e independente do rumo da sua sexualidade eu o amarei incondicionalmente.

Além disso, se muitos homossexuais ainda se dividem quanto a homossexualidade ser uma alteração genética ou de fato uma opção sexual, por que eu deveria afirmar no meio de uma brincadeira que gostaria que meu filho fosse gay?

Ah! Já sei. Queriam que eu fosse hipócrita para evitar o repúdio alheio? Vejamos, talvez eu devesse dizer que “sim”, ou devesse ter uma resposta preparada para cada circunstância parecida. Caso outro apresentador “seriíssimo” me perguntasse sobre a questão, eu seria hipócrita e diria: Quero que meu filho seja gay. Isso evitaria um boicote e eu ficaria mais rica, não? Não me perguntaram se eu amaria meu filho ainda que ele fosse gay. Não. Me perguntaram em “tom Engraçado”, em clima de piada, se eu gostaria que meu filho fosse gay.

Vamos lá! Façam uma pesquisa sobre a minha vida, sobre a do meu marido. Sabem quantos amigos homossexuais nós temos? Perguntem a cada um deles se em algum momento os discriminamos. Volto a dizer que Jamais desrespeitei ou preconceituei qualquer ser humano. E defenderia os homossexuais caso fosse necessário, em função de serem iguais a mim. Somos todos humanos.

Se eu errei, ou magoei alguém, lamento, e em nome do meu marido também. Essa jamais foi a nossa intenção. Assim aprendi em minha casa: “Ame, indistintamente”. Assim o farei. Sempre o fiz.

Boicotem, agridam. Aí realmente mora o preconceito, abusivo, abusado, circunstancial, oportunista. Levantem uma bandeira tão séria fundamentada numa piadinha que um apresentador fez comigo. Será que ele não deveria dar uma conotação diferente a este tipo de pergunta? Será que o tema se encaixa numa piada? Imagine, se ele brinca com o assunto em suas perguntas, por que eu não poderia brincar em minhas respostas? Afinal, aquilo era um debate?

Talvez eu deva ensaiar tudo que vou dizer a partir de agora, vivemos na era fake. Quanto mais agradáveis formos, melhor, não? Talvez eu deva realmente ceder `a essa hipocrisia e me tornar mais um enlatado de prateleira de supermercado, e assim, quem sabe, nas próximas eleições…

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”.

CL

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