Não. Ser mãe não é se DIVERTIR num trio elétrico. E, sim, eu me divirto quando estou TRABALHANDO.
Odeio ser ofensiva. Quando isso acontece é porque cheguei ao meu limite de tolerância. Mas, francamente, tem certas mulheres que não têm fé e são mal amadas demais.
Não admito que me depreciem, como uma jornalista e sua amiga fizeram num jornal há poucos dias. Explicitem suas opiniões quanto ao meu trabalho, ainda que eu saiba que não são capazes de me julgar.
Afinal, este é um preço que pago por escolher ser cantora e famosa. Mas, quanto a ser esposa, ou filha, e agora, sobretudo, quanto a ser mãe, entrevistem-me. Não sou inacessível e nem do tipo que esconde o jogo sobre minha vida, embora eu preserve o que me convém. É melhor assim.
A tal jornalista, cujo o nome não me vem a memória, publicou um texto sobre mim em sua coluna. Com base no que ela escreveu, sou uma celebridade gananciosa, medrosa e sem coração, que abandona seu filho em busca de status, dinheiro, ou os dois. Devo ressaltar que recebo uma “clipagem” diária, com todas as matérias que citam meu nome. Eu escolho as que vou ler pelos títulos, e este me chamou bastante atenção: “Ser mãe é se divertir num trio elétrico.”
Segundo a jornalista, a matéria foi sugerida por uma amiga sua, que, bem como ela, está “revoltada” comigo porque “pari, e já estava toda ‘serelepe e magérrima’ no carnaval, um mês depois de dar `a luz Davi”. Ainda segundo as opiniões sensatas da jornalista especialista em maternidade e celebridades- que afirma que no mundo dos famosos VALE TUDO- eu, a mãe má, não sei que meu filho sente falta de mim porque o deixo em casa para trabalhar e levo apenas sua mantinha com a lavandinha que passo nele depois que dou-lhe banho.
Pois é, eu dou banho em meu filho, meninas. Não devo satisfações a ninguém. Talvez eu até me arrependa por estar desabafando aqui no Blog, mas a verdade é que sou uma celebridade que limpa cocô . Inclusive, hoje `a tarde, depois de uma maratona de entrevistas e outros compromissos, tirei a fralda do amor a minha vida, fiquei me divertindo com todas as dobrinhas daquele corpinho lindo e recebi vários jatos de xixi no vestidinho que o meu stylist escolheu para sua serelepe artista usar.
Ah! O corpo branquinho, limpo, cheiroso e rechonchudo do meu filho, de aproximadamente sete quilos, desenvolveu-se muito bem, graças as mamadas que lhe dou desde o seu primeiro dia de vida. Aleitamento materno exclusivo, conhecem? Apenas leite do meu peito. Acordo diversas vezes durante a madrugada para alimentá-lo. Sabem quantas mulheres deixam de fazer isso por qualquer motivo torpe, seja ele relacionado ` a vaidade ou `a preguiça, cansaço? Pesquisem. Essa sim é uma discussão interessante, que acrescenta…
Chego da minha “diversão” exausta e extraio leite para armazenar. Aliás, minha profissão é banalizada por gente como vocês, descrente, preconceituosa, mas é sacrificante, apesar de todo prazer que tenho. Canso-me. Definitivamente, eu dou um duro danado. Vocês não devem fazer idéia de como eu me dedico e do quanto me esforço. Não estou desabafando aqui para que passem a me admirar, mas para que gente assim, ao menos me respeite, ainda que não goste de mim, ou não aprecie minhas atitudes.
Claro que é mais fácil para vocês acreditarem que as celebridades conseguem tudo porque têm dinheiro e fama. Quantas pessoas inventaram descaradamente que fiz plástica? Eu nunca soube que isso era possível, mas, sinceramente, não acho que é uma boa, uma vez que o pós-parto é um período especial para a mamãe e o bebê e não para a recuperação de uma cirurgia de estética. É! Essa é minha opinião. Talvez, se existisse uma entrevista, não afirmariam com veemência que eu não sei que meu filho amado sente minha falta quando preciso trabalhar. Isso dói demais em mim.
Antes de ser uma celebridade, uma artista, uma famosa, ou sei lá o quê, sou um ser humano. Sou mãe. Saio de casa com o coração apertado, mas preciso ir. Sabem quantos funcionários dependem única e exclusivamente de mim? Sabem quantos deles são pais? Claro que não. Pessoas como vocês duas não se dispõem a falar bem das celebridades. Pra quê? Vão fazer suas unhas em salões de beleza toda bendita quarta-feira, pegam as revistas e contam as celulites e estrias das moças que não podem ter nenhum defeito. Óbvio. Vocês não iriam se dar ao luxo de comentar sobre as doações que aquelas que “morrem de medo de serem substituídas por talentos emergentes” fazem `a instituições de caridade. Claro que não.
É mais fácil mostrarem aos seus maridos as coxas flácidas de fulana da novela das oito, porque assim justificam aquele seu defeito tão inconveniente.
Licença maternidade? Como eu gostaria de ter isso. Mas não posso. Sou a dona de uma estrutura que eu construí com minha “diversão em cima dos trios”. Sim. Sou otimista, alegre, sorridente, mas não significa que tudo são flores. Não sou do tipo que choraminga, que reclama. Não sou assim. Mas encontrei um monte de percalços no meu caminho e, afirmo com toda certeza, que estou pronta para encontrar e vencer os que virão, porque sou uma mulher forte e corajosa.
Aliás, foi por este motivo que estava naquele trio durante o carnaval, em Salvador. Não queria provar nada a ninguém. Só sou mais uma mulher que precisa trabalhar. Sou uma celebrity, uma dessas que enfeitam as revistas que te divertem `as quartas-feiras, mas antes de tudo isso, sou gente. Respeite-me, principalmente quando estiver, sei lá, afim de falar da minha atuação como mãe, pois, se tem uma coisa em mim que eu não conhecia e que me transformou completamente, foi o meu instinto materno. Dizer que não sou uma boa mãe, implica em afirmar que meu filho não é bem cuidado e… ai daquele que mexer na minha cria.
`A propósito, um dos assuntos que estão me preocupando, têm relação com uma das coisas que a jornalista em questão escreveu. Meu corpo não é minha prioridade porque quero estar bela, mas porque meu filho depende da minha saúde e, claro, meu trabalho também. Lógico, quero estar bonita, em forma, mas não existe o desejo desenfreado de acelerar certos processos.
Quero que vocês leiam este texto que recebi por e-mail e reflitam. Lembrem-se que existe tempo e propósito pra tudo e todos debaixo do céu.
CIRURGIA de LIPOASPIRAÇÃO?
“Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei,?nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas,?mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração??Uma coisa é saúde outra é obsessão.? O mundo pirou, enlouqueceu.? Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta.?Fé, só na estética. Ritual é malhação.? Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo,sentimento é bobagem.?Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.?Roubar pode, envelhecer não.
Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação.?Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.?A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem??A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,?não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.?Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.?Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.?Não importa o outro, o coletivo.?Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.?Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.?Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…?Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.?Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.”
‘ Cuide bem do seu amor, seja ele quem for ‘
Rosana Hermann
O beijo
Te amos.
Kk
PS: A babá de Davi está de folga. Adivinhem quem toma conta dele? Uma celebridade. rsrsrsrsrs!!!! Deus que me defenda, viu?
PS2:Essa onda de receber textos pela internet me deixa doida. Creditam os textos `a tanta gente, menos `as pessoas certas. Havia publicado aqui que esta citação era de Hebert Vianna, mas, na verdade, a pessoa que me encaminhou se equivocou. Portanto, estou aqui para corrigir a falha. Meu agradecimento `a Thays Almendra, do UOL, que entrou em contato para me avisar.
Quem freqüenta meu Blog e é meu fã sabe como sou apaixonada pela língua portuguesa. Amo literatura brasileira e sou bastante zelosa com meus textos, apesar do meu teclado desconfigurado.
Claro que não sou uma dominadora da gramática, tenho cá meus momentos de completa estupidez, mas gosto de estar sempre em dia com ela. Prezo pelas concordâncias verbais, pela coerência e, apesar de ter uma certa tendência a ser um pouco prolixa, sempre concluo meu raciocínio, o que atesta que minha vocação está associada `a comunicação. Embora seja uma ofensa, para mim chega a ser lisonjeiro quando duvidam que sou eu quem escreve aqui.
Entretanto, hoje, a coisa não funcionou tão bem pra mim. Lembrei da mulher do “Sanduíche, iche, iche”, do cara do “árvores somos nozes” e, francamente, essas memórias vieram tão somente por minha causa. Acontece.
Minha agenda de hoje foi extraordinária. Eu estava sem dormir duas noites seguidas- dei pequenas e profundas cochiladas- por causa da quantidade de compromissos e da distância entre os pontos de trabalho. Poderia cancelar alguns, ou sei lá o quê. Mas, eu fui sorridente. Principalmente porque um deles tratava de uma campanha especial, de cunho social fortíssimo, que me traria paz de espírito e uma sensação de nobreza impagável.
“O Câncer de Mama no Alvo da Moda”. Poucos sabem que essa não é uma campanha de prevenção `a tal doença- maligna em qualquer situação- mas uma motivadora de um exame bem simples para detectá-la e exterminá-la o mais rápido possível da vida de homens e mulheres. Obvio que, mesmo com todo cansaço físico, minha alma estava disposta, meu coração se empenhava e me estimulava.
Cheguei ao estúdio babando. Literalmente. Dormi na van a caminho da sessão de fotos, mas quando a porta foi aberta, senti-me pronta. Sem demagogia. Fizemos fotos incríveis para a Hering com balões coloridos e em uma cadeira linda vermelha e outras um pouco mais sérias, focadas no “Alvo”.
Até aí tudo em paz. Algumas vezes Bob Wolferson me lembrava que eu estava fotografando, pois a gente se perdeu em risadas e a equipe também se divertiu no decorrer do ensaio. Então, chegamos ao momento crítico, a hora do depoimento sobre a campanha. Seria simples falar dela, uma vez que me envolvi no projeto e estava super tranqüila… e cansada.
Já estava escurecendo lá fora e minha mente parecia acompanhar o fim do dia. Adoro me comunicar e acredito que tenho a maior desenvoltura pra coisa. Encarei a câmera e comecei a falar, como de costume. Opa! Não foi como de costume. Sabe quando você faz longas pausas, procura palavras no “seu HD” e simplesmente não as acha? Bom, se ainda não passou por essa experiência apresentando a monografia, a pesquisa da escola, ou um projeto de trabalho, saiba que é um verdadeiro horror.
Tudo depende você. As pessoas querem descansar, você também, a luz já foi embora, sua capacidade de raciocínio também. Duas tentativas e eu disse: “não estou conseguindo!” Quanto mais eu me cobrava, quanto mais silêncio na sala, em função das minhas pausas, menos concentração e até um certo nervosismo. Parei! “Oxe! Vamos agora e pronto!”Danei a falar numa velocidade que me assustou. Confesso que, embora tenha dado tudo certo ao final, não foi grande coisa.
O mais importante é que eu venci a estafa mental e produzi algo, além de ter levantado uma questão relevante dentro de mim. Nós somos extremamente exigentes com os outros. Assistimos `as filmagens nos “Youtubes” da vida, falamos da menina loira que deu entrevista num concurso de miss, criticamos o apresentador de TV. Enfim, pré-conceituamos as pessoas e muitas vezes até as julgamos em função do que vemos.
A velocidade das informações está cada vez mais intensa e é chegado o tempo de rir não importa de quem ou do quê. Culpamos. Castigamos. Punimos. Somos os juízes dos outros. O tempo traz novos “alvos das nossas críticas” e aquele outro criticado é piada do passado. Condenamos aquele de quem rimos aos estigmas que, não importa se são legítimos, “determinam” a (pseudo)essência de uma pessoa pelo resto de sua vida.
Fico pensando na nutricionista do “sanduíche-iche-iche”, tão inteligente, ficou nervosa por causa do ponto, da câmera, do jornalista, ou de um bocado de outros fatores- que talvez nem tenhamos capacidade e tempo para presumir e pagou um preço alto, virou até motivo de chacota- e chego `a conclusão de que ela é uma ser humano que não teve a chance que eu tive de regravar seu texto. E nós? O que somos?
O beijo para toda equipe que trabalhou comigo esta tarde e meu sincero agradecimento aos empreendedores dessa campanha extraordinária! Ao pessoal da Hering meu desejo de mais sucesso.
Obrigada!
O beijo pra vocês também.
Kk
Faz menos de um mes que um professor da Universidade Federal da Bahia fez um comentario mediocre e preconceituoso sobre o nivel dos baianos que cursam Medicina. Nao sei se todos sabem do fato, portanto, depois de ter recebido a poesia (Cordel) por e-mail- enviado hoje por meu pai- resolvi salientar aqui no blog que com BAIANO NINGUEM MEXE!
Sim. Somos todos alegres, receptivos e carnavalescos, mas isso nao faz de nos “tapados”. A proposito, sou baiana com muito orgulho e tenho titulo de cidada concedido pela prefeitura de Salvador. Embora ame o Brasil, nao pretendo sair da minha terra, onde vivo desde os primeiros dias de minha vida, e eh nesse estado abencoado, precisamente em Salvador, que pretendo criar meus filhos.
E, pra ser bem honesta, isso nao se trata apenas da minha “baianidade nago”, mas do fato de eu abominar todo tipo de preconceito, principalmente os etnicos.
Eis a resposta digna de “Miguezim de Princesa”, pseudonimo de Miguel Lucena Filho, que- acabo de descobrir- eh delegado de policia do Distrito Federal e jornalista, ao professor que foi exonerado. Tenho certeza que depois de provar do proprio veneno, esse professor vai pensar bem melhor antes de disseminar esse tipo de opiniao.
A vingança do berimbau
Miguezim de Princesa
Superado pelo tempo,
Ensinando muito mal,
Fabricando mil diplomas
Para entupir hospital,
O doutor da faculdade
Botou, com toda maldade,
A culpa no berimbau.
II
Disse o doutor Natalino
Que o baiano é um mocó,
Sem coragem e inteligência,
Preguiçoso de dar dó,
Só liga pra carnaval
E só toca berimbau
Porque tem uma corda só.
III
O sujeito ignorante
Não conhece o berimbau,
Que atravessou o mundo
Com toda a força ancestral.
Na fronteira da emoção,
Traz da África a percussão
Da diáspora cultural.
IV
Nem Baden Powel resistiu
À percussão milenar,
Uma corda a encantar seis
Na tristeza camará
De Salvador da Bahia.
Quem toca e canta poesia
Na dança sabe lutar.
V
O doutor, se estudou,
Na certa não aprendeu nada:
Diz que o som do Olodum
Não passa de uma zoada
E a cultura baiana
É uma penca de bananas,
Primitiva e atrasada.
VI
Jimmy Cliffi, Michael Jackson,
Paul Simon e o escambau
Se renderam ao Olodum
Com seu toque genial,
Que nasceu no Pelourinho
E hoje abre caminho
No cenário mundial.
VII
O baiano é primitivo?
Veja só o resultado:
Ruy foi o Águia de Haia;
Castro Alves, verso-alado
De poeta condoreiro,
E gente do mundo inteiro
Se curvou a Jorge Amado.
VIII
Bethânea, Caetano e Gil,
Armandinho, Dodô e Osmar,
Gal Costa, Morais Moreira,
Batatinha a encantar
João Gilberto, Bossa Nova
Novos Baianos são prova
Da grandeza do lugar.
IX
Glauber, no Cinema Novo;
Gregório, velha poesia;
Gordurinha, no rojão;
Milton, na Geografia;
Anísio, na Educação;
Dias Gomes, na encenação;
João Ubaldo e Adonias.
X
Menestrel da cantoria
Temos o mestre Elomar,
Xangai, Wilson Aragão,
Bule-Bule a improvisar,
Roberto Mendes viola
A chula – samba de Angola,
Nosso samba de além-mar.
XI
Se eu fosse citar todos
Que merecem citação,
Faria um livro de nomes
Tão grande é a relação.
Desculpe, Afrânio Peixoto,
Esse doutor é um roto
Procurando promoção!
XII
Com vergonha do que fez:
Insultar toda a Nação,
O tal doutor Natalino
Pediu exoneração
E não encontra ninguém,
Nem um nazista do além,
Para tomar a lição.
XIII
O baiano é pirracento,
Mas paga com bem o mal:
Dá uma chance a Natalino
Lá no Mercado Central
De ganhar alguns trocados
Segurando o pau dobrado
Da corda do berimbau.